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| Imagem de vídeo que discute o feminismo |
Quantas vezes nós mulheres já escutamos que precisávamos nos comportar como princesas? Que uma princesinha tem que sentar como uma mocinha ou que brincar com meninos não é legal? Muitas né? Incontáveis, eu sei.
É justamente sobre isso que Jarid Arraes fala no cordel A menina que não queria ser princesa.
Nós somos apresentados à Tereza uma menina que não está muito interessada em ser uma princesa:
"Era uma vez uma menina
Dotada de esperteza
Nascida lá no sertão
Batizada de Tereza
Era muito da danada
Arretada de brabeza."
Dotada de esperteza
Nascida lá no sertão
Batizada de Tereza
Era muito da danada
Arretada de brabeza."
E como a literatura é um espelho da vida os pais de Tereza não sabem lidar com as diferenças da menina e tentam a todo custo impor o que o senso comum considera normal.
"Foi que a mãe aperreada
Teve então uma clareza
Mandou trazer um livro
Com história de princesa
Segura do seu sucesso
Teve então uma clareza
Mandou trazer um livro
Com história de princesa
Segura do seu sucesso
Deu o livro pra Tereza.
A menina interessada
Logo se botou a ler
Subia e descia o olho
Mas não podia entender
A princesa era frouxa
E nada sabia fazer."
Logo se botou a ler
Subia e descia o olho
Mas não podia entender
A princesa era frouxa
E nada sabia fazer."
Depois de um tempo sua mãe percebe que a filha não é mais a criança feliz que costumava ser quando não tinha toda a pressão para ser uma princesa e decide deixar a menina livre para ser o que quisesse.
"Foram contar pra Tereza
Que tudo podia fazer
Rolar, pular e dançar
Escalar, cair e correr
E se gostasse de princesa
Isso também podia ser."
Tudo bem ser uma
princesa, mas só se você quiser ser uma. Tudo bem também não gostar de
princesas e querer ser qualquer coisa que te faça feliz.
"Se tem menina princesa
Que gosta muito de rosa
Tem também a danadinha
E que é muito geniosa
Tereza era só um tipo
De garota talentosa.
Que gosta muito de rosa
Tem também a danadinha
E que é muito geniosa
Tereza era só um tipo
De garota talentosa.
[...]
Pois ao papai e à mamãe
Eu peço muita atenção
Que criem meninas livres
De todo tipo de opressão
Que sejam o que quiserem
Cheias de amor no coração.
Pois é muito importante
Ensinar independência
Que sejam bastante fortes
Cheias de resiliência
E com a cabeça feita
Dotadas de competência."
É de extrema importância que os cordéis que são tão tradicionais quanto a sua forma estejam abertos a falar sobre conteúdos que estão em momentos de forte discussão como o feminismo.
Alessandra Nunes


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