sábado, 22 de outubro de 2016

Princesa? Será?

Imagem de vídeo que discute o feminismo
Quantas vezes nós mulheres já escutamos que precisávamos nos comportar como princesas? Que uma princesinha tem que sentar como uma mocinha ou que brincar com meninos não é legal? Muitas né? Incontáveis, eu sei.

É justamente sobre isso que Jarid Arraes fala no cordel A menina que não queria ser princesa.
Nós somos apresentados à Tereza uma menina que não está muito interessada em ser uma princesa:

"Era uma vez uma menina
Dotada de esperteza
Nascida lá no sertão
Batizada de Tereza
Era muito da danada
Arretada de brabeza."

E como a literatura é um espelho da vida os pais de Tereza não sabem lidar com as diferenças da menina e tentam a todo custo impor o que o senso comum considera normal.
"Foi que a mãe aperreada
Teve então uma clareza
Mandou trazer um livro
Com história de princesa
Segura do seu sucesso 
Deu o livro pra Tereza.

A menina interessada
Logo se botou a ler
Subia e descia o olho
Mas não podia entender
A princesa era frouxa
E nada sabia fazer."

Depois de um tempo sua mãe percebe que a filha não é mais a criança feliz que costumava ser quando não tinha toda a pressão para ser uma princesa e decide deixar a menina livre para ser o que quisesse.


"Foram contar pra Tereza
Que tudo podia fazer
Rolar, pular e dançar
Escalar, cair e correr
E se gostasse de princesa
Isso também podia ser."

Tudo bem ser uma princesa, mas só se você quiser ser uma. Tudo bem também não gostar de princesas e querer ser qualquer coisa que te faça feliz.

"Se tem menina princesa
Que gosta muito de rosa
Tem também a danadinha
E que é muito geniosa
Tereza era só um tipo
De garota talentosa. 

[...]

Pois ao papai e à mamãe
Eu peço muita atenção
Que criem meninas livres
De todo tipo de opressão
Que sejam o que quiserem
Cheias de amor no coração.


Pois é muito importante
Ensinar independência
Que sejam bastante fortes
Cheias de resiliência
E com a cabeça feita
Dotadas de competência."


É de extrema importância que os cordéis que são tão tradicionais quanto a sua forma estejam abertos a falar sobre conteúdos que estão em momentos de forte discussão como o feminismo.
 


Alessandra Nunes
 
 

 

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