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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Cordel Condena Homofobia!




Salete Maria é uma cordelista nordestina que define-se em seu blog como " Cordelista, Feminista e Libertária!". O Cordelirando já citou um cordel escrito por ela Mulheres Fazem. Salete é uma ativista das causas LGBTT e feministas. 
Salete Maria


O texto de hoje  aborda justamente a homofobia, o nome do cordel é "Do Direito de Ser Gay ou Condenado a Homofobia":

(...)

Não está em discussão
A minha intimidade
Aqui a acusação
Pesa contra a insanidade
De quem ousa decretar
Que é proibido amar
Invocando a divindade



Algumas pessoas pensam que é necessário ser homossexual para apoiar a causa, ou como Salete afirma no ultimo verso desta estrofe, justificam as agressões ( sejam elas físicas ou morais), "Invocando a Divindade".

(...)

Sou eu, pois, um cidadão
Que trabalha e contribui
Com esta grande nação
E que dela não se exclui
Mereço todo o respeito
Sou sujeito de direito
Que avança e evolui

O que temos que julgar
É a tal da homofobia
Que está a provocar
Mortes pela cercania
Privando gente decente
De viver alegremente
Entre nós, em harmonia    
                                                           

O que defini o caráter de uma pessoas não é sua sexualidade e sim suas atitudes, todos nós sentimos medo, amamos, temos momentos de fragilidade e isso não é definido pela orientação sexual e sim por um simples fato que é comum a todos: somos humanos.
É realmente estranho esse incômodo de algumas pessoas com a vida alheia.
O relevante aqui não é "quem namora quem" e sim a importância de aceitar as diferenças e individualidades de cada um.

(...)

Não podemos conceber
Que a injustiça impere
Temos que nos envolver
Pois toda morte nos fere
Todo gay é ser humano
Todo ser é nosso “hermano”
Se pensa assim, não tolere

Não seja condescendente
Cúmplice ou co-autor
Muito menos conivente
Com tais atos de horror
Se você tem consciência
Denuncie a violência
Seja lá contra quem for

Mais uma vez o cordel serve de veiculo para um assunto atual e de muita relevância social.

Por Alessandra Nunes




 

 


domingo, 25 de outubro de 2015

Ficou com vontade de conhecer alguns cordeis? Pois então "se aprochegue"!



Coco Verde e Melancia
Autor: José Camelo de Melo Resende

Coco-Verde e Melancia

é uma história que alguém
quer sabê-la mas não sabe
o começo de onde vem
nem sabe os anos que faz
pois passam trinta de cem

Coco-Verde era filho

de Constantino Amaral
morador no Rio Grande
mas fora da capital
pois sua casa distava
meia légua de Natal


Porém seu nome era Armando 
como o povo o conhecia
mas a namorada dele 
essa tal de Melancia
a ele por Coco-Verde
chamava e ninguém sabia

Então dessa Melancia
Rosa era o nome dela
porém Armando em criança
se apaixonando por ela
para poder namora-la
pôs esse apelido nela 

Portanto, seu nome é Rosa
seu pai Tiago Agostinho
de origem portuguesa
do pai de Armando vizinho
seus sítios eram defronte
divididos num caminho

 http://www.ablc.com.br/popups/cordeldavez/cordeldavez024.htm



História da Princesa da Pedra Fina
Autor: João Martins de Athayde

No Reino da Pedra Fina

Havia uma princesa
Misteriosa, encantada
Uma obra da natureza
Com ela duas irmãs
Que eram a flor da beleza.

Naquela linda princesa

Só era em que se falava
Nesse lugar também tinha
Um pobre que trabalhava
Com três filhos no roçado
Com isso se sustentava

Chamavam-se os três meninos

João, Antonio e José
José que era o caçula
Do tamanho dum bebé
A sua mãe lhe estimava
Nunca deu-lhe um cafuné

Disse o marido à mulher:

- vou trabalhar no roçado
os meninos também vão
pra ajudar-me doutro lado
você cá mate um franguinho
apronte-o, leve-o guisado.

http://blogdotataritaritata.blogspot.com.br/2008/07/literatura-de-cordel_22.html
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=5399



Lampião, o Capitão do Cangaço
Autor: Gonçalo Ferreira da Silva 


Só a alma luminosa

do homem missionário
ouve a voz interior,
e tendo o dom necessário
faz poesia da seiva
de um caule imaginário.

Poeta não ouve vozes

só com humanos ouvidos,
ausculta a alma das coisas
com diferentes sentidos
para os que não são poetas
ainda desconhecidos.

Este poema que fala
de cangaço e de sertão
é, apenas, à cultura
uma contribuição,
um documentário vivo
da vida do Lampião. 


Por ser uma obra feita
à luz da verdade viva,
mostra a face nobre, humana
e até caritativa
de Lampião, se tornando
a menos repetitiva.


http://www.ablc.com.br/popups/cordeldavez/cordeldavez031.htm



A Discussão do Carioca com o Pau-de-Arara
Autor: Apolônio Alves dos Santos 

Já que sou simples poeta

poesia é meu escudo
com ela é que me defendo
já que não tive outro estudo
vou mostrar para o leitor
que o poeta escritor
vive pesquisando tudo

Certo dia feriado

sendo o primeiro do mês
fui tomar uma cerveja
no bar de um português
lá assisti uma cena
agora pego na pena
para contar pra vocês

Quando eu estava sentado

chegou nessa ocasião
um velho pernambucano
daqueles lá do sertão
com a maior ligeireza
foi se sentando na mesa
pediu uma refeição

http://ablc.com.br/popups/cordeldavez/cordeldavez004.htm

Ficou curioso com esses trechos? É só clicar nos links embaixo de cada cordel para lê-los na integra.